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Porquê o MIT unificou Ética & Liderança

O prestigiado Massachussets Institute of Technology (MIT, Boston, EUA) foi pioneiro em abrir seus conteúdos na internet. A escola de administração desta universidade criou seu próprio programa de educação aberta, o "Learning Edge" (em português, algo como "Vanguarda do Aprendizado"), onde apresenta diversos estudos de casos de gestão, organizados em apenas seis categorias.

Esta síntese tão enxuta certamente demandou um grande esforço: diante de tantos temas pertinentes a serem aprofundados em uma escola de negócios internacional, eles precisaram fazer escolhas e valorizar certas pautas em detrimento de outras. A meu ver, simplificaram este panorama de forma brilhante:

1) Empreendedorismo
2) Gestão de Operações
3) Estratégia
4) Sustentabilidade
5) Dinâmica de Sistemas
6) Liderança/Ética

Por quê o MIT julgou que era insuficiente, ou inadequado, que um de seus ramos de pesquisa se chamasse somente "liderança"? Por quê entenderam que era necessário o complemento da ética para comunicar adequadamente sua visão? Em primeiro lugar, porquê em uma acepção contemporânea, a ética é definida como o "estudo da tomada de decisão, quando esta decisão impacta a vida de outras pessoas".

Portanto, a ética na gestão assume sua verdadeira vocação enquanto ciência da tomada de decisão, afastando-se da visão ingênua de "ciência do certo & errado". É fácil afirmar que o papel do líder é tomar boas decisões – mas uma boa decisão é boa para quem? Para os acionistas, para os clientes, para o meio ambiente? Para todos? A resposta não é trivial, mas para evitar um relativismo improdutivo, do tipo "cada caso é um caso", podemos afirmar que a observância diligente das conseqüências das grandes decisões empresariais constitui a própria "direção" da empresa. 

Deste modo, o lucro pelo lucro deixa de ser o critério fundamental para nortear os rumos da organização: ele deve existir, sem dúvida, mas a liderança assume a responsabilidade sobre as conseqüências deste resultado, em quaisquer esferas onde o impacto das decisões tenha sido sentido – positivamente ou negativamente. Como exemplo prático desta necessidade de mudança de paradigma na direção das empresas, vale à pena ler na página do "Learning Edge" o estudo de caso sobre o vazamento de petróleo da British Petrol na costa americana.

Em segundo lugar, existe uma segunda justificativa para a fusão da ética com a liderança: o problema da gestão da conduta dos profissionais em ambientes multiculturais. O que está em jogo aqui é a questão da subjetividade Vs. objetividade: se o que é tradicional e aceito em uma cultura pode ser visto como ofensa em outra, como os líderes farão para dar respostas objetivas à situações onde o "certo e errado" dependem do ponto de vista de cada indivíduo?

Aqui reside a maior oportunidade de inovação na gestão de pessoas. Mas para isso, precisamos ter em mente o filósofo Nietzsche: é preciso ir "além do Bem e do Mal". Para quebrarmos o paradigma do executivo que julga as ocorrências de conduta usando como critérios sua cultura e sua moral individual, precisamos de novas abordagens pragmáticas – mas que não incorram em um racionalismo exacerbado, desumano, que leve à uniformização das pessoas como no filme "The Wall", do Pink Floyd.

A objetividade moral reside não no padrão único de comportamento, mas sim, no reconhecimento pragmático das diferenças culturais e na busca de meios eficazes de lidar com o outro. O foco deixa de ser a convicção moral, estanque e inquestionável, passando a recair agora sobre a análise das conseqüências de cada decisão tomada.  Portanto, esta demanda por um pragmatismo nas decisões corporativas tem um viés de proteção do trabalhador diante do risco de uma avaliação preconceituosa, parcial; trata-se de aperfeiçoar os mecanismos da meritocracia, buscando mitigar obstáculos injustos como o racismo, o machismo, a intolerância religiosa, entre outros.

Seguem pouco exploradas as intersecções da ética com aplicação da teoria dos jogos (já amplamente discutida nas disciplinas Econômicas); com a aplicação de problemas da teoria da evolução, como a polaridade entre "cooperação x competição"; com descritores de lógica aplicados à argumentação, em busca de critérios mais objetivos para a emissão de juízos em situações de conflito.

Para concluir: a unificação da ética com a liderança, promovida pelo MIT, aponta para a busca da vantagem competitiva responsável – sem a qual, seria inviável defender a Sustentabilidade como eixo fundamental do ensino de negócios.

Thiago Venco é conselheiro deliberativo da Loopes. Hoje atua como coordenador de projetos do principal grupo de Transplante de Fígado do Brasil. Já realizou 4 projetos em parceria com a Sloan School of Management, do MIT, sob supervisão do Prof. Richard Locke, através do programa Global Entrepeneurship Lab.

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